Chegada da P-63 a Rio Grande reforça time de gigantes no polo naval

Rio Grande, cidade-sede do polo naval gaúcho, recebeu mais uma gigante nesta quinta-feira. A P-63 atracou durante a tarde no estaleiro da Quip, onde será finalizada e convertida em plataforma de petróleo. Pela primeira vez, três plataformas podem ser vistas ao mesmo tempo no porto do sul do Estado, enquanto um casco está sendo erguido dentro do dique seco do Estaleiro Rio Grande (ERG). E, mesmo sendo o maior volume de construções até agora desde o início da indústria offshore, a região ainda não vive o pico de contratações previsto para o setor. O auge desta fase da indústria naval deverá ocorrer na segunda metade do ano. Por esta época, o Estaleiro Brasil (EBR), na cidade vizinha de São José do Norte, começará a ser construído, o que atrairá pelo menos dois mil trabalhadores ainda em 2013. Ao todo, cerca de 15 mil pessoas deverão atuar diretamente na indústria naval no sul do Estado.

A rigor, a chegada da P-63 não altera o panorama de empregos de Rio Grande. Isso porque a Quip já estava construindo os módulos antes de o navio atracar na cidade. Assim, as cerca de 1,5 mil pessoas envolvidas no projeto deverão continuar com suas funções. Também em razão desta antecipação, a tendência é que a plataforma fique pronta rapidamente. A previsão da Quip é que ainda no primeiro semestre de 2013 ela já possa começar a viagem para a Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, onde atuará no Campo de Papa Terra. A P-63 traz duas diferenças em relação às demais plataformas construídas no Estado. A primeira é que o projeto é totalmente brasileiro. Desde a montagem do projeto básico até o comissionamento (início da operação), tudo foi executado pela Quip. A segunda é que ela será operada por um consórcio entre a Queiroz Galvão (uma das acionistas da Quip) e a BW Offshore por um prazo de 30 meses antes de ser entregue definitivamente à Petrobras. Normalmente, as plataformas são assumidas pela Petrobras assim que chegam ao local de extração de petróleo.

A manobra de entrada da P-63 ocorreu sem qualquer transtorno. Com boas condições climáticas e de maré, a gigante de 334 metros de comprimento por 58 metros de largura e 70 metros de altura foi transportada por cinco rebocadores desde a entrada da barra até o estaleiro. Lá, assumiu o lugar onde estava a P-58, que, por sua vez, foi levada para a parte nova do cais da Quip. A plataforma será do tipo FPSO (sigla em inglês para unidade de produção, processamento e armazenamento de petróleo) e terá capacidade para processar 180 mil barris de petróleo por dia. O investimento é de mais de R$ 2,5 bilhões.

Obras em andamento

P-63 Construída pela Quip
334 metros de comprimento
58 metros de largura
70 metros de altura (equivalente a um prédio de mais de 20 andares)
Produção: 180 mil barris de petróleo/dia
1,5 mil empregos diretos
Operação: Campo de Papa Terra, na Bacia de Campos-RJ

P-58 Construída pela Queiroz Galvão
330 metros de comprimento (mais de três vezes a distância entre as traves da Arena do Grêmio)
56 metros de largura
56 metros de altura
Produção: 180 mil barris de petróleo/dia
Operação: Campo de Baleia Azul, no Espírito Santo

P-55 construída pela Quip
Quadrada, com 94,32 metros de lado (o equivalente a um quarteirão)
55 metros de altura
Produção: 180 mil barris de petróleo/dia
Operação: Campo de Roncador, na Bacia de Campos-RJ
Investimento: R$ 3,4 bilhões.

Oito cascos construídos pela Ecovix
23,2 metros de calado
288 metros de comprimento

O que ainda está por vir
Estaleiro Rio Grande 2
Navios-sonda (Ecovix)
Estaleiro Wilson Sons
Estaleiro EBR, em São José do Norte,
2 plataformas FPSO (P-74 e P-76)

Fonte: ZERO HORA

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *